segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A medicina descobre que a gestação é decisiva para uma vida longa e livre de doenças. Nesse período, pode-se prevenir a depressão, o câncer, a obesidade e até a diabetes

Fonte: Revista Isto É
por Mônica Tarantino e Rachel Costa 21.01.16




Sabe-se também que a alimentação materna pode ter impacto na chance de a criança vir a desenvolver câncer. “Dependendo de sua qualidade, a nutrição da mãe pode produzir células geneticamente instáveis e propensas à doença”, disse à ISTOÉ David Barker, da Universidade de Southampton, na Inglaterra. Um dos principais vilões, neste caso, são os embutidos. “Eles apresentam em sua composição uma substância carcinogênica que pode atuar sobre o feto”, explica a nutricionista Elaine de Pádua, de São Paulo. Porém, o risco para o bebê não está apenas na dieta equivocada. Se a gestante fumar, usar drogas ou tomar antibióticos inadequados, também deixará o feto mais vulnerável à enfermidade. “E há evidências de que a exposição da grávida a inseticidas aumenta as chances de tumores renais”, afirma a oncopediatra Viviane Sonaglio, do Hospital do Câncer de São Paulo.





Presente no cotidiano da maioria dos moradores das grandes cidades, a poluição é considerada um dos maiores inimigos da evolução saudável dos fetos no ambiente uterino. Diversos trabalhos feitos pela equipe do Children’s Environmental Health, da Universidade Colúmbia, nos EUA, mostram que, além de aumentar os riscos de câncer de modo geral, os poluentes emitidos pela queima de combustíveis por veículos, pesticidas ou pelo fumo passivo estão ligados a problemas de desenvolvimento do raciocínio dos pequenos. Uma investigação feita com crianças de 3 anos de idade, nascidas de mães expostas a constante poluição atmosférica, indicou atraso em funções cerebrais como a compreensão dos tamanhos, a habilidade para fazer contas e a identificação de padrões bastante simples. “Esses resultados têm se repetido nos estudos em andamento em vários países”, disse à ISTOÉ Julia Vishnevetsky, coordenadora do centro de pesquisa da instituição americana. “As crianças que já manifestam algum déficit de cognição originado quando ainda estavam no útero da mãe poderão ter pior desempenho escolar quando forem mais velhas, se nada for feito. Mas os danos podem ser revertidos se houver uma intervenção precoce”, diz a especialista.




Outro fator comum ao estilo de vida atual e extremamente nocivo é o estresse. Há indicativos de que ele seja capaz de produzir sequelas físicas e mentais no ser em formação. Um exemplo é aumentar a predisposição do bebê à asma, como atestou um estudo americano feito com 557 famílias. Os cientistas analisaram o cordão umbilical dos filhos das mulheres submetidas a tensão intensa e contínua com o das crianças geradas por mães mais tranquilas. “Vimos diferenças importantes na produção de substâncias associadas ao risco de asma na vida adulta”, disse Rosalind Wright, uma das autoras da pesquisa. “Nos bebês gerados por mães estressadas, a chance de surgimento da doença era muito maior”, disse a estudiosa.

Tão forte quanto isso é o impacto do estresse da mãe na formação de toda a rede de neurônios do bebê. “As experiências emocionais da mulher durante a gestação ajudam a moldar a arquitetura do cérebro do bebê. Isso, a longo prazo, vai afetar a capacidade de aprendizagem, o comportamento e a saúde mental da criança”, considera a psicóloga Maria Tereza Maldonado, autora do livro “Nós Estamos Grávidos”.

Um dos assuntos que mais interessam aos pesquisadores nessa área de investigação é entender melhor como o estresse materno pode predispor o bebê a maior chance de vir a sofrer de depressão quando adulto – situação que começa a ser apontada em alguns trabalhos. Um deles foi realizado, em animais, na Escola de Farmácia da Hebrew University of Jerusalem. Nos seus experimentos, os cientistas observaram que as cobaias submetidas a ambientes estressantes (ouviam sons irritantes em períodos alternados) tiveram filhotes que, quando adultos, demonstraram alguns prejuízos importantes: tinham debilitada sua capacidade de aprendizado e de memória, apresentavam menor habilidade de lidar com situações adversas e manifestavam sintomas de ansiedade e de depressão.

Na Inglaterra, pesquisadores do Imperial College of London chegaram inclusive a montar, no ano passado, uma exposição dirigida a pais para informá-los sobre a conexão. O objetivo era deixar bem claro que o estresse da gestante pode ter um impacto tão sério a ponto de alterar o desenvolvimento cerebral da criança, deixando-a suscetível à enfermidade.




No entanto, muita coisa ainda precisa ser descoberta sobre como se dá esse tipo de interação. Parte da resposta estaria na exposição do feto aos hormônios desbalanceados da mãe. Sob condições de tensão constante, todos nós produzimos quantidades excessivas do hormônio cortisol, inclusive a gestante. E o excedente passaria através da placenta e chegaria ao feto, provocando mudanças na sua rede neuronal que podem estar associadas ao surgimento da depressão na vida adulta.

Todas essas descobertas têm reforçado a importância do pré-natal como um período fundamental para garantir a saúde futura do bebê que está sendo gerado. De acordo com o ginecologista Nilson Melo, presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, o mínimo necessário são sete consultas, distribuídas do primeiro ao nono mês. “É o melhor investimento na dupla mamãe-bebê e na saúde das fu­turas gerações”, diz o especialista.

Gandhy Piorski em parceria com Instituto ALANA lança livro sobre natureza, imaginário e brincar





‘Brinquedos do Chão’ é o primeiro livro de uma série que irá discutir o brincar e os 4 elementos da natureza

No próximo dia 5 de novembro, o Instituto Alana lança, em parceria com a editora Peirópolis ‘Brinquedos do Chão: a natureza, o imaginário e o brincar’, o primeiro livro de uma série de quatro do educador e artista plástico Gandhy Piorski em São Paulo. No Rio de Janeiro o lançamento será dia 8 de novembro.

Gandhy estuda o brincar e o brinquedo há mais de 20 anos. Por suas andanças Brasil afora, na busca por conhecer a criança brasileira, se deparou com a intimidade e o manejo que elas têm com os elementos da natureza. Assim, deu início a um estudo profundo sobre o brincar e os 4 elementos: terra, fogo, ar e água.

Nesse livro, o pesquisador adentra o universo do brincar com o elemento terra, e busca compreender como ele dialoga com o reino imaginário da criança.

Confira abaixo o bate-papo que o Instituto ALANA fez com ele.

Instituto Alana – O professor Marcos Ferreira, que prefaciou o seu livro, diz que você é um pesquisador alimentado pela ‘curiosidade crianceira’. O que as crianças despertam em você?

Gandhy Piorski – Em principio não existia um interesse direto pela infância, mas pelo universo do artista brincante. As artes e as brincadeiras sempre chamaram a minha atenção. Sempre gostei muito de teatro de bonecos. Em meados dos anos 90, pude conhecer o mestre Zezito, e estudar com ele. Ele que me transmitiu um encantamento pela alma do brinquedo tradicional, feito por artesãos. Foi então que montei uma oficina e comecei a construir brinquedos, propor projetos para arquitetar espaços de brincar, realizar oficinas com crianças e jovens da periferia de Fortaleza e, com isso, iniciei uma pesquisa própria. Fiquei até 1999 trabalhando quase que exclusivamente com construção de brinquedos.

IA – E quando a criança tornou-se o foco da sua pesquisa?

GP – Em 2003 ganhei a Bolsa Virtuose, cedida pelo Ministério da Cultura, para realizar um estudo no Museu do Brinquedo de Sintra, em Portugal. Conheci diversos pesquisadores, entre eles o professor João Amado, da Universidade de Coimbra, que pesquisa os brinquedos construídos por crianças da Península Ibérica. Um dia, durante uma conversa, ele me levou até as ruínas de Conímbriga, cheia de mosaicos, de brinquedos e brincadeiras das crianças romanas, e me deu uma aula sobre esses brinquedos. Depois, lançou a pergunta: você conhece as crianças do Brasil? Já pesquisou os brinquedos que elas constroem? Isso mexeu comigo e me conduziu a olhar para a criança.

IA – O significado do brinquedo mudou quando você começou a olhar para a criança?

GP – Mudou completamente. Quando entrei de cabeça no universo da infância o brinquedo estético e produzido perdeu a expressão para mim; eu enxerguei uma camada anterior – que é a imaginação da criança – e que falava com muito mais riqueza sobre o universo da infância. É na imaginação que residem todos os elementos do brincar. O brinquedo foi perdendo sua concretude.

IA – Depois dessa nova ótica para o brinquedo, como você guiou suas pesquisas?

GP – Eu voltei de Portugal e, no mês seguinte, já estava no Pará, em áreas ribeirinhas de Belém, olhando as crianças. Também fiz um trabalho para a Instituição Dragão do Mar. Eles me convidaram para montar uma grande exposição de brinquedos construídos por crianças cearenses. Fiz uma pesquisa de dois anos, em 25 regiões do Ceará. Foi dessa experiência – entre 2005 e 2007 – que nasceu o livro Brinquedos do Chão. A escrita foi no campo – eu parava a noite e escrevia. Comecei a entrar de cabeça nos elementos da natureza, relacionando-os com o brincar.

IA – O que a criança busca quando brinca com os elementos da natureza?

GP – Busca um anseio humano muito antigo, de se entranhar no mundo e conhecê-lo nas suas múltiplas dimensões. A força imaginária conduz a criança a conhecer as experiências mais estruturantes da vida – e essas experiências estão na natureza.

IA – E o que ela busca ao brincar com a terra em específico?

GP – A brincadeira da terra é uma brincadeira de estrutura. A criança busca a inteireza, a concretude da vida, quer compreender os materiais no todo e manifesta isso nos seus fazeres. No livro eu falo sobre as investigações do oculto: abrir os animais para ver o que tem dentro, cavar a terra, a brincadeira de esconde-esconde. Esses momentos revelam o fascínio do encontro. A criança tira os véus da vida para poder criar intimidade e se aninhar com o mundo, ela quer conhecer os fundamentos de todas as coisas e a terra permite essa descoberta.

IA – Você afirma no livro que a imaginação é a verdade da criança. Poderia explicar?

GP – A imaginação é a faculdade com a qual a criança dialoga com a vida. É o oposto da consciência racional, que analisa e cria conceitos. A imaginação é fundada pelo simbólico, pelo encanto, e não por uma linguagem moralista. O olhar simbólico nos deixa permear pelas matérias do mundo, já o olhar analítico nos afasta das experiências. Quem vive por mais tempo o alimento imaginário constrói uma organização sensorial mais aprofundada, por isso precisamos educar as crianças, desde cedo, nessa expressão do imaginário.

IA – Existe um imaginário que atravessa as diferentes culturas infantis?

GP – Sim. O contato com a elementaridade do mundo dá uma universalidade para o brincar. O barquinho, por exemplo, é universal na cultura das brincadeiras. O menino que nasce no sertão vai acessar o elemento água tanto quanto o menino que nasce na beira da praia. Mas as narrativas serão diferentes, pois a cultura vai dar o contorno para as brincadeiras. O menino do mar constrói um barquinho de forma mais refinada do que o do sertão, mas os dois contêm em si os mesmos elementos imaginários da água. Isso é um arcaísmo genético – a água acorda informações genéticas comuns aos dois meninos, porque essas informações estão no fundamento do humano.

IA – A exposição que acompanha o lançamento do livro traz brinquedos que crianças construíram com sucatas da cidade. Como relacionar com os brinquedos do chão, feitos com elementos da natureza?

GP – Ela vem para dar um contraponto: não precisamos ficar restritos ao sonho ideal do brincar na natureza, o mais importante é conhecer a imaginação da criança, como ela se estrutura e, a partir disso, encontrar no mundo espelhos que alimentem essa imaginação. Nessa exposição estão expostos brinquedos feitos com materiais da indústria. Mas não qualquer material, são sucatas inteligentes, como um freio de bicicleta – que abre ramos na imaginação e evita o linear. É preciso criar encantamento nas matérias, porque a imaginação é do reino do encanto, ele que acorda o interesse vivo em criar.

IA – Qual o convite que o livro faz ao leitor?

GP – O livro trata sobre a base fundamental de diálogos da criança com o mundo e inaugura uma reflexão sobre o comportamento imaginador da criança. É para todos que se interessam pela criança: pessoas da área da cultura que produzem obras para crianças, artistas, arquitetos que têm pensado ambientes para a infância, urbanistas, educadores que estão nas escolas.

AS 20 REGRAS PARA SER FELIZ

Quem conseguir tornar consciente e colocar em prática essas regras, possivelmente aprenderá a viver com qualidade. Instituto Eneagrama - 21...